DEUS ME DÁ SEGURANÇA

O Deus que liberta é meu Deus
e nada temo nem de dia nem de noite,
porque Ele orienta minha vida.

Do trono Ele derruba os impérios
e com apenas seu olhar
reacende a brasa no coração aflito.

Só os simples verão seu rosto,
longe seus olhos
da lama que no pântano apodrece.

No Senhor confio e Nele espero,
porque está tão próximo dos meus lábios
como a mãe da criança que amamenta.

Presente nos livros sagrados de todos os povos,
ali onde vou Deus já está
e no lugar que deixo Ele fica.

Referência:
GABRIEL, Paulo. Em desnuda oração: salmos de rua. São Paulo: Paulinas, 2010. pág. 24.

COTIDIANO

Aprendi a encontrar-Te
nas esquinas da terra onde agora
explodem bombas
e no grito da mãe que chora o filho assassinado!

Agora sei que na realidade Tu me cercas,
e é por isso que acolho dos loucos a inocência
e dos mártires a luz!

Como dois amantes que se descobrem nus,
assim somos nós dois:
eu, a boca que Te busca;
Tu, a surpresa diária que ao tocar-me me liberta!

Referência:
GABRIEL, Paulo. Em desnuda oração: salmos de rua. São Paulo: Paulinas, 2010. pág. 16.

CHAMA DE AMOR VIVO

Unir alma e céu
para tornar a vida suportável!

Preso,
ele foi preso porque amava.

na noite escura e longa ele viu a luz,
uma luz imperecível que emanava
do ser sem nome;
fonte e facho,
o manancial que na alma tem seu ninho.

Foi preso e foi banido;
tratava a Deus como se tratam os amantes,
e para os que fazem da religião rito e mercado
o amor machuca.

Da cruz se apaixonou porque a cruz é símbolo
e o amor para ser livre há de ser purificado.

Seu nome era João,
apenas isso;
andou a pé pelas estradas poeirentas de Castela,
andou a pé e no rumo certo.

Referência:
GABRIEL, Paulo. Em desnuda oração: salmos de rua. São Paulo: Paulinas, 2010. pág. 55.